Tupi or not tupi that is the question
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os antidepressivos vão parar de funcionar

Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Das Imagens Reincidentes

Marina era o tipo de mulher que não se assombrava com as coisas. Caso sua mobília começasse a pegar fogo, dependendo do dia e de sua disposição, ela poderia fechar os olhos e tornar a dormir ou levantar à procura de um balde com água. Calmamente.

Quando o telefone tocava, ela se erguia, às vezes depois do quinto toque. Se algum homem que ela julgava atraente a notava, Marina devolvia um olhar debulhado, perscrutador, sem pressa. Ela imprimia às coisas algo que era cotidiano, mas também excepcional.

Raramente se desestabilizava; e não é que fosse apática, que as coisas não a afetassem.
(Marina certa vez viu uma senhora ser atropelada na Grande Avenida e trancou-se em um quarto durante cinco dias.)

Ela ainda era aquilo que poderíamos chamar uma-mulher-de-verdade. Vivia à cata de besouros azuis, tinha saias envelhecidas, às vezes usava sombra nos olhos. Os cabelos davam-lhe um aspecto esquisitíssimo. Marina tinha muitas memórias e uma infância presa à algibeira. Às vezes acordava e vestia uma camiseta cinza; ia ao parque do engenho, perdia horas olhando o velho lago que já apodrecia. Voltava junto com os pássaros. Cantava.
Um dia acordou, a casa inteiramente vazia. Ficou procurando o filho. Gritou Pedro por todos os cômodos e pela janela. Pedro debaixo dos lençóis, junto às arvorezinhas, debaixo da cruz, Pedro no santuário, não o encontrou nas galerias, dentro dos espelhos. Pensou em ir à rodoviária, tarde da noite, bebeu dois copos de rum e dormiu dentro de si, soluçando um pouco. Quando amanheceu, não lembrava de quanto dormira nem de que havia buscado. Marina nunca teria filhos.


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Quinta-feira, Agosto 16, 2007
- eu nunca tive tempo de cantar.

diz minha avó que parece ter passado a vida muito ocupada com a idéia da morte, sem ter de fato enfrentado o esfacelamento da vida. parece mesmo que ela nunca teve tempo de viver, sempre preocupada com as doenças imaginárias. é horrível pra mim fazer esse juízo de valor, mas é sincero, ainda que perverso. porque de fato me afeta, me bota medo. ando menos tolerante com as conversas de sala-de-estar, com as fotos de família. parece que todo mundo vive a passar panos, forjando imagens, dourando pílula o tempo inteiro. e isso que por ora chamo "minha sinceridade" parece cada vez mais escabroso e a verdade é que eu não tenho a intenção de chocar ninguém. eu queria mesmo era dançar, esquecida das idéias, do peso. meu Amor pelas pessoas permanece tão vivo, mas sempre tão dentro de mim.
eu não quero me arrogar.


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Palavras e Imagens

Fernanda-Irmã
Cotovelares
Misson, O Cara
Jordani Sou Eu
Cat, A Mina
Leo Caobelli, O Iluminado
Phasmo, o Fantasminha
Ed, o Coelho Branco
Fernanda, a Imersa
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Daniela, O Mito
Vitor, o Freire
Arara, a Teresa
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Tom e Vinicius - por Biagio Di Carlo
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