Isso sempre foi uma questão minha. O ponto vacilante em que não me afirmo “de confiança”, Aquela que bate em retirada, que ama dentro de si – profundamente, mas dentro de si. O ponto em que parece algo de messiânico; em que minha solidão tem ao mesmo tempo um signo maldito, que deixa “uma luz lívida em seu entorno”, mas também é um movimento que não se faz barrar: Eu vou – finalmente afirmo, finalmente sei. Sabe de quê? Vai para onde? O ridículo de alguém que se enche de si, que se vai empertigar de Escolhido. Vou ali executar meu Gesto Original. Finalmente mostro convicção. Pareço uma figura independente, descolada, que segue uma natureza íntima, incomunicável. Ah, meu sentimento oceânico! Durante todo percurso ao lado de alguém, fui aquela que alertou para o inevitável deste momento, como precisasse me definir a partir disso. “Você é meu pássaro colorido”, ela me diz: mas um pássaro. Aquela que segue o imperativo, a ética sempre incerta do próprio desejo. Como se pode confiar? Um ímpeto de independência risível porque verdadeiro em um só aspecto – talvez em sua força, não em seu senso de realidade. Mas é este “desprendimento” que também me leva ao Salto e disso eu não abro mão. A Mariana sabe o que faz: As coisas de sua própria cabeça – Eu vou. “Você não aceita ajuda, você nunca me escuta”. Tenho de seguir a isso, a esta fome, ao imperativo desta ignorância: Eu não sei isso que me move! - Mas seu pai está morrendo... O meu Amor/apego parece verdadeiro dentro de mim. Sei me filiar através de pactos, não de pertencimento originário. Não sei em que ponto sou livre. Sou esta que vacila, gagueja, que não sabe se pode se posicionar, mesmo entre os seus. Há o infantil e o egoísmo de uma natureza que não se submete. Permaneço profundamente dependente, mas desgarrada. Vai lá ser Joana d’Arc, Mari. Depois manda o recibo da fantasia pra sua mãe pagar. O ponto: Porque também quando viro as costas, quando faço alarde para o perecível de meus vínculos, há algo em mim que sofre mas não mostra a dor. Parece aqui minha fobia, um isolamento que já foi solipcista, que já inventou modos de ser impronunciável – talvez já tenha sido. Pertenço a esta natureza oculta, a esta Outra Natureza. Retiro-me – mas muitas vezes (muitas vezes, não sempre) o que se desenrola é apenas o ritualístico da solidão, lugar supremo, consagrado d’A Grande Repetição: Parto porque preciso partir, preciso ser ali – não necessariamente ser alguma coisa [a indefinição do que me arrasta], importa que não sob a força aglutinadora de Eros. Sinto algo de mortífero em tais laços: Parto para uma outra morte. Você vê como aqui troco de lugar o tempo todo? Digo e sou dita. A claudicância do que não afirma nada, a arrogância de quem nada precisa afirmar. postado por Maroca 13:42 Fala que eu te escuto: . . .